• ..:: Ele está de volta!
    • Publicada em 28.10.2008 na categoria cinema por Anderson R. Barbosa
    • Após 40 anos chega aos cinemas o filme que fecha a trilogia do coveiro mais sádico do cinema.

      A trilogia que foi iniciada no começo dos anos 60 tem seu ato final. Após trinta anos preso, Zé do Caixão é finalmente libertado. Decidido a cumprir a mesma meta de encontrar a mulher que pode lhe gerar o filho perfeito, Zé do Caixão varre a cidade de São Paulo com terror e sangue. Com uma trama traduzida para os dias atuais, Encarnação do Demônio convence e encanta aos fãs de Mojica. Apesar dos clichês existentes, o filme nos prende justamente por conter elementos de sua narrativa principal, sem perder, apesar de nesses anos a mídia distorcer e ironizar o grande personagem criado por Mojica, sua essência e seu brilho. Talvez por toda a desconstrução que Zé do Caixão sofreu pela mídia, o filme não se torne tão assustador quanto deveria. Cenas que levam o público aos risos em vez dos sustos são constantes no filme, mas não descartáveis.

      Outra coisa interessante no filme são os ganchos com os outros dois filmes. Fantasmas ou ilusões que perturbaram Zé do Caixão nos filmes anteriores voltam, numa convincente maquiagem e transformação dos atores para parecerem os da época. Ao mesmo tempo em que os ganchos servem como elemento narrativo, tem a função também, de familiarizar o espectador que não conhece os outros filmes.

      Talvez o mais esperado num filme do Zé do Caixão nos dias de hoje seriam as cenas de violência, e uma coisa é certa, o filme não deixa nada a desejar aos filmes americanos. São cenas de extrema realidade e efeitos magníficos, uma direção de arte impecável, e fiquem atentos que algumas cenas de tortura são reais. Por conta disso o filme se tornou muito violento, o que lhe concedeu uma censura de 18 anos. Canibalismo, escatologia, sangue, vísceras, um verdadeiro rio de sangue.

      O drama e a busca de Zé do Caixão são muito bem representadas no roteiro simples, mas muito bom de Dennison Ramalho. O exagero desnecessário na atuação de alguns atores incomoda um pouco, mas logo se sente que isso foi usado como cano de escape do universo sádico do filme.

      No fim das contas, Encarnação do Demônio é um excelente filme de terror e feito no Brasil! Com o maior orçamento que Mojica teve acesso, o filme abre as portas do cinema brasileiro para as produções de terror. É lamentável que todo seu sucesso aqui seja fruto de seu reconhecimento no mundo afora, mas felizmente Mojica foi reconhecido ainda em vida e agora terá sua obra explorada por muitos.

      E para quem pensa que Mojica vai se aposentar com o fim da trilogia de Zé do Caixão, aviso a vocês que está longe disso acontecer. Como disse o próprio: “farei terror enquanto viver”. Para o próximo ano já podemos aguardar “O Devorador de Olhos”.

      Anderson R. Barbosa

      NOTA: 9.0

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