• ..:: O dia em que Getúlio matou Allende
    • Publicada em 8.8.2008 na categoria resenhas por Kennedy Ferreira
    • Capa do livro O dia em Getúlio matou Allende

      O livro é divido em duas partes, particularmente a primeira me interessou bem mais (como vocês perceberão a seguir), até porque ela é bem maior que a segunda, onde o autor faz dos capítulos pequenos trechos de suas lembranças.

      A primeira parte do livro foca nos Golpes Militares, que em sua maioria ocorreram no Brasil. Cristaliza bem a aversão que parte da classe política e militar tinha frente à ações que tentassem promover o benefício da população, taxando aqueles que quisessem implantá-las de comunistas, e logo arquitetando um golpe para reinvindicar o poder. O autor conta também que Getúlio já tramara seu suicídio bem antes da noite de 24 de agosto de 1954 (dia em que aconteceu o golpe), e que sua morte, nesse caso, seria seu último golpe. Sairia por cima, como mártir; seus inimigos jamais o pegariam (pelo menos não vivo), como ele mesmo disse: “Sairia da vida para entrar na história”.

      Enfocando “a majestade” encontrada na morte de Getúlio, justifica o fascínio do presidente Allende quando soube do fato e ratifica que foi a ciência do sucesso do suicídio de Getúlio que levou Allende a fazer o mesmo em 11 de setembro de 1973, evidenciando ao leitor o motivo pelo qual o livro tem seu título. Nessa parte também há casos pitorescos, como o casamento de um dos filhos de Getúlio com uma lésbica que posteriormente foge com a amante para NY, onde supostamente foi morta sob pretexto de ser comunista, para não ressaltar o tom decisivo de preconceito implícito em seu assasinato.

      Pessoalmente, devo destacar a figura do General Lott, que foi responsável por arquitetar e executar o contra-golpe militar. Ele colocou o poder civil frente às armas, impedindo que os militares retirassem da presidência Café Filho e anulassem as eleições futuras. O que mais me interessou foi que, no ápice do golpe, quando Lott já encontrava-se com suas tropas nas ruas e praticamente com os golpistas vencidos, o vice-presidente da câmara dos deputados, Flores Cunha, sugere que Lott assuma temporariamente a presidência. Prontamente o general recusa dizendo que não busca o poder, e ameaça o deputado de prisão por incitação ao golpe caso insista com a idéia. Ao final do contra-golpe, Nereu Ramos, presidente do senado, assume a cadeira à presidência do Brasil e, em 31 de janeiro de 1956, entrega o poder a Juscelino Kubistchek, eleito pelo povo.

      A segunda parte do livro é bem menor que a primeira, e conta casos que tiveram repercursão mundial e são relacionados diretamente com o comunismo. O livro representa uma boa leitura pra quem se interessa logicamente por política. Recomendo que antes de lê-lo dê uma revisada nos períodos da ditadura no Brasil para tirar maior proveito do livro.

      • Índice:
      Título: O dia em Getúlio matou Allende - e outras novelas do poder
      Autor Flavio tavares
      Editora: Record
      ISBN: 85-01-06949-3
      Número de páginas: 333p

        Um comentário

      1. Jéssica Frias:

        :) Gostei! História é legaaal, especialmete a do Brasil, e livros assim tiram um pouco daquele ar meio chato de escola, além de mostrar que alguns antepassados politicos eram decentes.
        Eeee vc acaba de provar q eu lhe defendi corretamente quando disse q vc ñ lia só auto-ajuda. ;p

        Beijo!

        09.08.2008 às 22:26
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